A propósito do livro "Caim", José Saramago atira mais uma das suas senilidades e o alvo é o mesmo de tantas outras. Desta vez o "Nobél" da Paz classifica a bíblia como um "manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana.". Ora, como escritor tão premiado e adorado por "esta Espanha" fora, que é, não é de estranhar o rigor nas palavras utilizadas por Saramago. Manual é, por definição, um pequeno compêndio (é certo que a palavra "pequeno" quando falamos da bíblia é no mínimo inadequada), logo, perante algumas passagens da bíblia, não é descabido fazer essa interpretação sobre o livro com provavelmente mais interpretações do mundo. Já a palavra "catálogo" pressupõe a intenção de venda e aí talvez haja uma má utilização da palavra, tendo em conta que estamos no séc. XXI e a igreja católica há muito tempo que tem muita dificuldade em vender o seu peixe, o que, depois do milagre que Jesus fez a Pedro, é essencial que o faça.
Mas as reacções às declarações de José Saramago, foram coerentes com o recente comportamento dos notáveis portugueses, especificamente quando reagiram às imagens de Maitê Proença. Ora, tanto num caso como no outro, foi dada importância demais a imbecis com demasiado tempo de antena. Rui Tavares, deputado europeu, classifica o vídeo de Maitê Proença como "o maior escândalo de todos os tempos", se calhar se ela, em vez de ter pedido desculpas, tivesse dito apenas que tinha fumado um charro, este episódio, na cabeça do eurodeputado do Bloco de Esquerda, não teria passado de uma má e despropositada piada sobre os portugueses, por parte de uma lutadora pelos direitos dos cidadãos e apoiante das drogas leves.
Sobre as declarações do deputado europeu Mário David acerca do episódio Saramago desta semana, vale a pena reler algumas das declarações deste senhor que diz "ter vergonha de o ter como compatriota" (lembro-me de uns quantos que envergonham mais e mais vezes) ..."Se a outorga do Prémio Nobel o deslumbrou, não lhe confere a autoridade para vilipendiar povos e confissões religiosas, valores que certamente desconhece mas que definem as pessoas de bom carácter" ( "vilipendiar povos e confissões religiosas" são valores que definem pessoas de bom carácter???) ... "há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize... E depressa!" ( Se fôssemos sempre tão radicais, Portugal tinha mais ou menos 6 ou 7 milhões de habitantes) ... "Não li, nem vou ler, ou é obrigatório?", esta última proferiu-a quando questionado sobre se já tinha lido o livro "Caim" de José Saramago - não não é obrigatório, apenas quando se pretende criticar o que lá vem escrito...
Duas notas de relevo, destacar a coincidência de estes dois senhores serem deputados europeus, e esperar que este não se torne um comportamento comum a todos os outros eurodeputados porque os nossos impostos não servem para pagar psicanálise. Referir também que sendo José Saramago dois anos mais velho, está na hora de o tratarmos com mesmo respeito que tratamos Mário Soares, ou seja... deixem-nos dormir a sesta e dizer baboseiras, que nesta idade já fizeram por merecer este direitos.
Cuspidela na careca, José Saramago recebe, talvez, a penitência justa pelo que disse, à boa moda da bíblia.




